Entrevista – ACVIM com a Dra Pamela Silvestre Backschat

WhatsApp Image 2017-07-18 at 13.09.481)Como foi sua experiência no ACVIM (American College of Veterinary Internal Medicine) em 2017?

Minha experiência foi fantástica, não só foi minha primeira experiência fora do Brasil, como foi a primeira vez que tive a oportunidade de estar no ACVIM. Pude estar próxima de grandes nomes da medicina veterinária e, principalmente, dos meus ídolos da Cardiologia Veterinária, o que me renovou a inspiração na área e a vontade de promover meu melhor a cada dia.

2)Quais as principais novidades apresentadas no Congresso no que concerne a Cardiologia veterinária?

As novidades foram modestas na área de Cardiologia. Pude assistir palestras de cunho cirúrgico, desde atualidades no procedimento de valvuloplastia por balão e abordagem de estenose subaórtica em crianças. Algumas palestras envolvendo análises de ECG e Holter evoluindo para eletrofisiologia e ablação de flutter atrial. Mas impossível não dizer que o terceiro dia, no qual apresentariam os guidelines, era o mais esperado do congresso para novidades. Nesse dia foi apresentado o estudo VALVE, que compara sobrevida de animais que foram tratados com a terapia convencional (Pimobendan + Furosemida + IECA) com animais que receberam a terapia de Pimobendam + Furosemida, e aparentemente, não houve efeito positivo, ou seja, não houve diferença na sobrevida dos animais, ao se adicionar o IECA em cães no estágio C da doença valvar mitral mixomatosa. Na minha opinião, foi o estudo que mais intrigou a todos da plateia, houve discussões sobre os resultados na tentativa de defesa dos IECA, mas na minha opinião, acredito que mais estudos surgirão a partir deste para podermos responder de fato a real diferença do medicamento no tratamento da doença.

3)Qual foi a repercussão da apresentação dos resultados do estudo EPIC e qual a sua opinião?

A repercussão foi boa, uma vez que, os dados do estudo foram incluídos no guideline atual da doença valvar mitral mixomatosa. Acredito que daqui por diante, o uso do pimobendan irá aumentar ainda mais, mas claro, que o uso dessa medicação deve ser utilizada da maneira como o estudo revelou resultados, ou seja, no estadiamento da doença com as devidas alterações estudadas, no qual o remodelamento cardíaco atende aos critérios propostos pelo estudo, para que o uso desta não se torne indiscriminada.

4)E quanto as apresentações do novos guidelines de doença valvar mitral e hipertensão, qual foi a repercussão no evento?

Esse dia foi o mais movimentado do congresso, salas cheias e muitas pessoas permaneceram em pé ao fundo para poderem assistir a apresentação dos guidelines. De maneira geral, as mudanças foram discretas, mas é importante saber que os pesquisadores se preocupam para ainda termos informações atualizadas sobre os principais assuntos que nos rodeiam na cardiologia veterinária.

No guideline da Doença valvar mitral mixomatosa foi incluído o estágio B2 avançado, que o remodelamento atende aos critérios do estudo EPIC e houve consenso no uso do Pimobendam/BID, já até mesmo indicando o reparo valvar cirurgicamente, se possível. No estágio C da doença, houve consenso no acréscimo da espironolactona ao tratamento.Ainda no mesmo guideline, no estágio D, não houve consenso no uso do sildenafil para tratamento da hipertensão pulmonar, ao menos que esta se classifique como importante e sintomática (síncope após atividade, insuficiência cardíaca congestiva direita) e, se anteriormente já houve a otimização de tratamento da insuficiência cardíaca congestiva esquerda, a partir daí sim o medicamento foi justificado.

No guideline de Hipertensão, manteve-se a seleção de pacientes que apresentam lesão em órgão-alvo (LOA) e a presença de uma condição associada a hipertensão secundária para inicio de tratamento. Os valores foram reclassificados como se segue:  150mmHg de pressão arterial sistólica (PAS) como risco mínimo para LOA, 150-169mmHg de PAS como bordeline ou baixo risco para LOA, 160-179mmHg dde PAS como hipertenso e, portanto, risco moderado de LOA, e por fim, acima de 180mmg de PAS hipertensão importante e com alto risco de LOA.

5)Você acha que ir ao ACVIM é um investimento válido para profissionais brasileiros?

Sim, e após minha primeira vez, quero que aconteça a segunda, a terceira…

O congresso além de nos apresentar inúmeras palestras de assuntos variados da medicina interna, nos proporciona a vivência, mesmo que em poucos dias, com grandes pesquisadores de todas as áreas e isso, pra mim, foi suficiente para poder renovar toda inspiração que cultivo, para sempre me manter atualizada e poder dessa forma propiciar um melhor atendimento aos nossos pacientes.

 

Pamela Silvestre Backschat

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Anhembi Morumbi no ano de 2011;

Residência em Clínica Cirúrgica no HOVET-USP no ano de 2015;

Pós graduação lato senso em Cardiologia Veterinária pela ANCLIVEPA-SP no ano de 2016;

Mestranda do Serviço de Cardiologia, Departamento de Clínica Médica pela FMVZ-USP desde 2016;

Atendimento Clínico Geral e Internação no Hospital Veterinário Pet Care desde 2015

 

Sobre o Pimobendan…

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Bom dia a todos os associados!
Todos os meses iremos dar a vocês uma sugestão de trabalho científico para leitura e aprofundamento dos conhecimentos em Cardiologia Veterinária!
A nossa sugestão do mês é o tão comentado trabalho EPIC, sobre o uso da pimobendana em cães com insuficiência valvar crônica de mitral e cardiomegalia pré-clínica, ou seja, os pacientes no estágio B2.
É frequente que surjam dúvidas quanto à melhor conduta nos cães que apresentam remodelamento cardíaco mas que ainda não apresentaram eventos de congestão, sendo os dois fármacos de prescrição mais comum a pimobendana e os inibidores da ECA. O estudo EPIC modificou a conduta de muitos colegas cardiólogos!
Qual a sua opinião sobre esse trabalho e o delineamento clínico utilizado? Você acha que há alguma limitação nesse estudo? A referência do trabalho segue abaixo!

BOSWOOD, A. et al. Effect of pimobendan in dogs with preclinical myxomatous mitral valve disease and cardiomegaly: The EPIC Study—a randomized clinical trial. Journal of veterinary internal medicine, v. 30, n. 6, p. 1765-1779, 2016.

Sobre o Fórum de Dirofilariose

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O mais recente evento da SBCV foi realizado na cidade do Rio de Janeiro no último sábado, dia 08/07/2017. O Fórum de Dirofilariose recebeu 120 ouvintes os quais puderam aprender mais sobre a história da doença no Brasil, sobre a sua patogenia, particularidades do diagnóstico e tratamento, através de palestras ministradas por profissionais renomados como Profª Drª Maria Helena Larsson, Profª Drª Norma Labarthe, Msc. Alexandre Bendas e nosso convidado internacional Dr Clarke Atkins, da Universidade da Carolina do Norte/ EUA.


Agradecemos o apoio dos patrocinadores e a presença dos profissionais que se dispuseram a aprender e se atualizar conosco sobre essa filariose tão emergente!
Já conferiram a agenda científica no site para não ficar de fora dos próximos eventos da SBCV ?

Primeiro semestre da nova diretoria concluido com muito sucesso!

Bom dia, associado!
Já chegamos ao segundo semestre de 2017 e é com imensa alegria que informamos que o primeiro semestre foi um sucesso em relação à contribuição da SBCV para a cardiologia veterinária em todo o território nacional. Foram realizados 11 cursos nacionais contemplando 9 cidades e 6 estados brasileiros com sucesso de público! Agradecemos a confiança e a participação dos patrocinadores e dos nossos associados nos eventos, contribuindo sempre com perguntas, sugestões e críticas nos ajudando a engrandecer a especialidade e melhorar cada vez mais a vida dos nossos paciente cardiopatas!
Você ficou de fora? Quer participar também? Então não perca os próximos eventos! Você pode acompanhar a agenda científica e se inscrever pelo site da SBCV.
Lembrando que dia 8/7 acontece o Fórum de Dirofilariose na cidade do Rio de Janeiro com palestrantes renomados nacionais e internacionais! E logo mais em Setembro nos encontramos em Presidente Prudente para desmistificar a cardiologia veterinária!
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Nos vemos em breve, então?

Entrevista com o Prof Dr Clarke Atkins!

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Palestrante do fórum de dirofilariose da SBCV que acontecerá dia 08 de julho, o Prof Dr Clarke Atkins respondeu ao BLOG algumas perguntas sobre o tema!

  1. Por que é importante fazer o teste de diagnóstico da Dirofilariose antes de administrar drogas para prevenção?

Um teste de microfilária é tradicionalmente feito para evitar a administração da dietilcarbamazina em cães microfilarêmicos, em que aproximadamente 25% poderiam ter uma reação adversa “semelhante a choque”, associada à morte destas microfilárias. E, destes que reagem, aproximadamente 10% morrem. O risco é muito menor com os preventivos que possuem na sua formulação a lactona macrocíclica (ML) porque matam microfilarias (MF) muito mais lentamente. Nós ainda sugerimos testar para MF em qualquer cão Ag + (antígeno positivo), entretanto, pois as reações podem ocorrer com as lactonas macrocíclicas especialmente com aqueles que são potentes agentes microfilaricidas (isto é, a milbemicina). Desta forma, sabe-se qual preventivo usar. Já o teste de antígeno é realizado antes de iniciar os preventivos por razões: 1) se um cão é positivo, mas não detectado como tal, quando o diagnóstico é finalmente feito, o procedimento preventivo poderá falhar. 2) se o cão é positivo, a doença vascular pulmonar progredirá até o diagnóstico ser feito e o tratamento administrado. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o danos vasculares, pulmonares e cardíacos.

  1. Quem são os pacientes os quais é indicado a prevenção? (Área endêmica X não endêmica)

Esta é uma questão essencialmente socioeconômica. Em áreas não endêmicas para Dirofilariose, em que a população é pobre, acredito que a prevenção ainda seja oferecida, mas com uma descrição clara do grau de risco. Nas áreas em que a clientela tem maior reserva financeira, penso que a mesma abordagem deve ser feita, mas com a expectativa de que muitos ou a maioria dos cães receberão as drogas preventivas. Nas áreas em que a Dirofilariose é endêmica, minha mensagem é a mesma para todos os proprietários – faça os preventivos.

  1. É indicado a dupla defesa?

Certamente há vantagens para a defesa dupla, independentemente se você estiver se referindo a um produto específico ou não. Os produtos que repelem e matam mosquitos podem evitar a Dirofilariose na vizinhança, mesmo para cães que não estejam com preventivos, podem prevenir a infecção de cepas resistentes e podem proteger o pet e o  proprietário (porque os mosquitos entram em contato o pet que está utilizando inseticidas e/ou repelentes tópicos morrem e, então, não se alimentam novamente) do desconforto das picadas de mosquito. Por outro lado, simplesmente trazer animais de estimação dentro de casa, protegendo-os contra os mosquitos, é uma outra forma de terapia dupla que é muito econômica.

  1. O que se sabe sobre a resistência aos medicamentos preventivos?

Nos EUA, resistências isoladas foram identificadas. Elas variam em seu grau de resistência e demonstraram ser resistentes a todas as 4 moléculas de preventivos da Dirofilariose e a todas as formulações. No entanto, algumas formulações (por exemplo, imidicloprida-moxidectina tópica) tiveram melhor desempenho contra cepas resistentes. Até a presente data, existem 6 ou 7 resistências isoladas  – isso é tudo. Minha opinião pessoal é que a informação sobre a resistência foi exagerada e que o que é uma simples epidemia de  dirofilariose foi transformada em uma epidemia de resistência. A preocupação com a resistência é real, no entanto não é significativamente relevante hoje.

Clique aqui e garanta sua inscrição para o Fórum de Dirofilariose!

Encontro científico-social de domingo foi um sucesso!

Domingo, dia 28 de maio, a SBCV organizou mais um evento, desta vez em São Paulo.

O encontro aconteceu na sede do CRMV e contou com 4 horas de aprofundamentos em temas como Taquicardias de QRS largo, Terapia de ressincronização ventricular e como as taquicardias supraventriculares implicam na clínica e no prognóstico do paciente em IC.

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José Carlos Pachon, trouxe ensinamentos valiosos para avialiação das derivações pré-cordiais na identificaçao de taquicardias supraventriculares com QRS largo!

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Patrícia Chamas e Luis Felipe Neves dos Santos levaram casos clínicos interessantes para discussão pela mesa redonda sobre Holter, arritmias e tratamento.

Fiquem atentos que logo teremos novidades para sua região!