Vocês viram este artigo?

O Artigo Técnico feito pela M. V. Lilian Petrus, presidente da SBCV em parceria com a Agener com o tema: Inibidores da ECA na cardiologia de cães e gatos, trouxe o assunto de maneira completa para apoio aos médicos veterinários.

 

Entrevista com a Dra Cristina Torres

A Dra Cristina Torres Amaral faz parte da diretoria científica da SBCV é formada pela FMVZ da USP desde 2008 e mestrado pela FMVZ da USP.
Dra Larsson, Dra Cristina Torres, Dra Paula Itikawa
Perguntamos à ela um pouco mais sobre o congresso e quais estão sendo os preparativos com os temas.
Acompanhe abaixo.
-1 Quais as novidades o congressista pode esperar dos temas esse ano? 
Elaboramos uma grade científica bem diversificada, abordando temas mais avançados e também assuntos que são dúvidas frequentes da rotina do cardiólogo. As palestras incluem tópicos em ecocardiografia, terapia da insuficiência cardíaca, índices eletrocardiográficos utilizados nas publicações mais recentes, controvérsias da medicina x medicina veterinária, discussão de casos clínicos, intervenções cirúrgicas, etc. Além disso, completando a grade científica, teremos a avaliação dos posteres e, pela primeira vez, a apresentação oral dos melhores temas livres submetidos. Com certeza o congressista pode esperar um excelente congresso!
2-Como foi feita a escolha dos convidados internacionais? 
Os dois palestrantes escolhidos são grandes referências da Cardiologia mundial! O Dr Jonathan Abbott é professor associado da Universidade de Virgínia (EUA) e é autor de mais de 100 artigos publicados, incluindo o estudo EPIC, que foi um grande marco no tratamento da valvopatia mixomatosa. O Dr Mark Kittleson é professor emérito da Universidade de Davis (EUA), autor do livro “Small Animal Cardiovascular Medicine” e de mais de 100 artigos publicados em cardiologia veterinária, além de mais de 30 capítulos de livros. Ambos possuem uma grande versatilidade em abordar variados assuntos dentro da cardiologia.
3-É possível observar temas que abordam a cardiologia além do coração, como cuidados paliativos, síndrome metabólica, condição corporal como preditor de ICC.  Você acredita que uma abordagem multiprofissional é importante na cardiologia? 

Com certeza! A abordagem multiprofissional é essencial em qualquer especialidade! Não podemos focar apenas em exames cardiológicos: a avaliação do nosso paciente vai muito além do sistema cardiovascular. Ele deve ser avaliado como um todo, e é de grande importância que o cardiólogo tenha familiaridade com alterações em outros sistemas. Muitas vezes as alterações cardiológicas podem ser secundárias a outras doenças sistêmicas e vice-versa. Isso facilita o encaminhamento do paciente a um colega clínico geral (ou com atuação específica em outra especialidade) para realizar o acompanhamento do caso em conjunto. Nossos pacientes só se beneficiam deste agregado de conhecimentos.

A Dra Cristina é formada pela FMVZ – USP desde 2008, mestre pela FMVZ – USP 2018 com residência em Cardiologia pela FMVZ – USP em 2012, residência em Clínica Médica pela FMVZ – USP em 2011

Inibidores da ECA

Olá pessoal,

Hoje trazemos um texto super completo sobre Inibidores da ECA na Cardiologia de Cães e Gatos escrito pela Dra Lilian Caram Petrus.

Esperamos que aproveitem!

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Agenda de SETEMBRO

Olá associado,

A SBCV está preparando diversas novidades para o mês de Setembro!! Dê uma passadinha pelo site http://www.sbcv.org.br confira e se inscreva!

02/09/2018 – XII Encontro Cinentífico-Social

Sabe quais as indicações e contra-indicações do marcapasso? Tem dúvidas sobre o acompanhamento antes e depois do implante? Vamos começar setembro conversando sobre esse procedimento cada vez mais disponível para nossos pacientes.

 

11/09/2018 – I Jornada Nordestina de Cardiologia Veterinária – São Luis/MA

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14/09/2018 – I Jornada Nordestina de Cardiologia Veterinária – Maceió/AL

O Nordeste não ficou de fora! Venha aprender e se atualizar conosco na I Jornada Nordestina! Informações no site!

18/09/2018 – Palestra online: Atualizações cardiológicas 21h

Aprender já é bom! Aprender sem sair de casa é melhor ainda! Anote na agenda, terça-feira, às 21 horas, temos um encontro marcado. Inscrições pelo site: http://webinar.inpulse.vet.br

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30/09/2018  – Encontro Interdisciplinar da SBCV

Pensando nas comorbidades do paciente cardiopata, a SBCV vai encher o seu domingo de conhecimento sobre o manejo desses verdadeiros desafios! Não perca!

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Patrocinadores do CBCVet 2018

Gostaríamos de fazer um post agradecendo a parceria dos patrocinadores que estarão conosco em nosso Congresso Brasileiro de Cardiologia Veterinária agora em novembro.

Patrocinadores

Todos eles estarão presentes em nosso congresso, mas aguardem pois ainda teremos muitas outras novidades por aí!

Próximos cursos

Olá pessoal!

Para que todos possam se programar, segue as datas dos próximos eventos confirmados da SBCV.

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  • No interior de SP tem! Já sabe o que tem de novidade no diagnóstico e tratamento da doença valvar mais comum nos cães?

Palavras do coração 23/06/2018 – Sorocaba/SP

  • Em Julho, os veterinários de Goiânia e região poderão aprender e se atualizar um pouco mais sobre a Hipertensão pulmonar.13

Compreendendo a Hipertensão Pulmonar 03/07/2018 – Gôiania/GO

Logo mais serão abertas as inscrições para mais um evento no Rio de Janeiro:

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  • I Fórum de Doenças Respiratórias em Pequenos Animais 28/07/2018 – Rio de Janeiro/RJ

Aqui em São Paulo, em breve serão abertas as inscrições para:

  • XI Encontro Científico-social 26/08/2018 – Vamos falar sobre marcapasso?

Mais informações em breve no site!

Já podem ir separando os seus casos complicardiológicos para Outubro! Tem dúvidas? Quer compartilhar um caso raro? Busca uma luz no fim do túnel? Seu caso será muito bem vindo no próximo:

  • IX Casos complicardiológicos 25/10/2018 – mais informações em breve no site!

Lembrando que o prazo para envio de trabalhos científicos para o Congresso Brasileiro de Cardiologia Veterinária é 30/06/2018! Dúvidas em infocbcvet@sbcv.org.br

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Para mais informações, acesse nosso site

SBCV entrevista Patrícia Chamas

Olá, pessoal, entrevistamos a professora doutora Patrícia Chamas, vice presidente da SBCV, para sabermos um pouco mais quais as expectativas para o congresso deste ano.

Patrícia Pereira Costa Chamas é
Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo, com residência em Clínica Médica de Pequenos Animais pela Universidade de São Paulo, possui mestrado em Patologia Experimental e Comparada pela Universidade de São Paulo e doutorado em Clínica Veterinária pela Universidade de São Paulo

1- Depois de tantos anos na diretoria da SBCV, o que representa a presidência do III CBCV para você?

 

Estar na Presidência deste importante evento da Cardiologia Veterinária brasileira representa, para mim, uma grande honra e satisfação, mas também um grande desafio. Queremos que seja um evento ímpar, do qual as pessoas se sintam felizes e realizadas de terem participado. Para isso, estamos nos esforçando bastante e planejando as melhores opções de temas e palestrantes, hospedagem e lazer, para que possamos nos orgulhar de termos organizado e realizado um evento de grande relevância para essa área do conhecimento Veterinário, que se encontra em franca ascensão, devido ao incremento dos métodos de diagnóstico e tratamento das cardiopatias, mas também devido ao aumento da expectativa de vida dos nossos pacientes.

2- O que o congressista pode esperar de novidades esse ano?

 

Serão abordados, em diversas palestras, muitos temas atuais, mas também novas descobertas dentro de temas mais antigos, tanto na área de patogenia e genética das doenças cardíacas, quanto de diagnóstico e abordagem terapêutica das mesmas. Ainda, pela primeira vez, contaremos com a apresentação oral de alguns trabalhos científicos, que se destacarem por seu ineditismo ou complexidade, além de palestras satélites organizadas pelos patrocinadores do evento. Também os expositores das empresas, que estarão participando da feira do Congresso, trarão muitas novidades que estão chegando ao mercado Pet, relacionadas à Cardiologia, mas também a outras áreas da Clínica de pequenos animais.

 

 

3- Qual a expectativa da realização deste evento em Campos do Jordão?

 

Campos do Jordão é uma cidade turística muito agradável, tanto pelo seu clima ameno quanto pelo seu estilo charmoso, com lindos cenários naturais de montanhas cobertas por araucárias e uma região central com diversas opções de compras e lazer. Dessa maneira, os Congressistas desfrutarão de momentos muito agradáveis no tempo livre de sua estadia. Ainda, por estarem fora de sua cidade de origem, poderão descansar e se desligar dos problemas que nos cercam na rotina diária da vida atribulada que levamos, hoje em dia, e assim aproveitarão melhor tudo o que o Congresso poderá lhes oferecer.

Agenda de MAIO

Prezado associado,

Já conferiu a agenda do site esse mês? MAIO tem muitas novidades!!!

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Atenção Minas Gerais, a Dirofilariose subiu a Serra! Então não perca na próxima segunda-feira (07/05/2018) em BH:

 

 

 

 

 

Brasília também conta com evento da SBCV de 17 a 19 de maio! Não percam o II Desmistificando a Cardiologia Veterinária.

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Dia 19/05/2018 também será um sábado de muito aprendizado na Cidade Maravilhosa! Neste dia, no Rio de Janeiro, será conversado sobre as alterações cardiovasculares nas edocrinopatias. Para não perder, é só se inscrever pelo site!

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E por último porém tão importante quanto: CONGRESSO BRASILEIRO DE CARDIOLOGIA VETERINÁRIA!!!!

Fiquem atentos para a virada de lote 31/05/2018!

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Ainda não se inscreveu? Então corre para o site: http://www.sbcv.org.br

Estamos a disposição caso haja alguma dificuldade no processo de inscrição!

Entrevista com Dra Carolina Bonomo sobre a Cardiologia na Clínica Médica de Equinos

 

Sobre a importância da cardiologia na área de eqüinos

 

  • Qual a relevância da Cardiologia Veterinária na prática da clínica de equinos?

 

A cardiologia veterinária na prática equina é de grande importância, mas ainda estamos muitos passos atrás se compararmos com a prática da clínica de pequenos. Os equinos apresentam uma grande aptidão atlética, e apesar de não serem tradicionalmente “cardiopatas”, frequentemente nos deparamos com as situações de queda de desempenho destes animais. Entre as causas mais comuns de queda de desempenho, após descartarmos as alterações musculoesqueléticas, estão as alterações cardíacas.  Acredito sim que seja um assunto de extrema importância, mas ainda temos muito trabalho a fazer para a evolução tanto do diagnóstico como do tratamento dos equinos com alguma alteração cardíaca para trazer mais respostas e mais resultados significantes, dando assim a devida relevância ao tema.

 

 

  • Quais as alterações mais frequentes que você encontra nesses animais?

 

As arritmias e os sopros são as alterações mais comumente encontradas em equinos. Como estes animais são criados, em sua grande maioria, para a prática de esportes, estas alterações muitas vezes são consideradas “achados do exame físico”, porém podem representar, em alguns casos, a queda do desempenho e levar à perda da capacidade de desempenhar atividade física destes animais. Dentro das arritmias temos os famosos bloqueios atrioventriculares, com os quais os equinos convivem muito bem a depender do tipo de bloqueio, e a fibrilação atrial, que é de alta ocorrência e prognóstico reservado, sendo ainda um grande desafio para o médico-veterinário (ainda não conseguimos garantir um tratamento seguro e de sucesso para estes animais). Dentre os sopros, o mais comum é aquele verificado em decorrência de insuficiência da valva aórtica, que não traz prejuízo até certo grau, ao desempenho da atividade física para os equinos – os equinos possuem certa habilidade de conviver até que bem com determinadas alterações cardíacas sem que seja necessária alguma intervenção. Além destes, o defeito de septo interventricular é a alteração estrutural que mais podemos encontrar em potros.  Ainda acredito que muitas outras alterações podem vir a ser relatadas, quando tivermos uma certa dedicação ao assunto, ou evolução dos métodos diagnósticos.

 

 

  • Existem muitos profissionais atuantes na Cardiologia de equinos?

 

Infelizmente não, o que reduz muito nossa capacidade de discutir o tema, trocar experiências, e contribuir de forma produtiva para a Medicina Veterinária. Precisamos de mais profissionais que se dediquem a aprofundar seus conhecimentos de forma apropriada nessa área e tragam respostas de qualidade para a real evolução deste assunto.

 

 

  • Quais os principais desafios desse campo de atuação?

 

Acredito em uma tríade de desafios: o médico-veterinário, o diagnóstico e o tratamento. O próprio médico-veterinário é uma barreira, quando ao seu exame físico declina em dar importância diante da verificação de uma arritmia ou um sopro, ou mesmo de realizar exames periódicos dos animais sob sua responsabilidade. Estamos falando de um órgão extremamente desenvolvido (o coração dos equinos apresenta grande desenvolvimento de tamanho e melhoria de função frente a realização de atividade física) e que muitas vezes é negligenciado ao exame físico. Além disso, dependemos muito de exames complementares e da disponibilidade de aparelhos para exames eletro e ecocardiográficos, que são considerados de alto custo, reduzindo a disponibilidade para seu uso. Precisamos evoluir muito no quesito diagnóstico mas, também, no quesito tratamento, pois nos encontramos um tanto restritos dada a baixa disponibilidade de terapias atualmente relatadas para uso seguro e eficaz em equinos.  

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Carolina Bonomo é:

Formada em Medicina Veterinária pela FMVZ/USP em 2008;

– Residência em Clínica e Cirurgia de Equinos pela FMVZ/USP em 2010;

– Mestre em Ciências – Clínica Veterinária pela FMVZ/USP em 2012;

– Doutora em Ciências – Clínica Veterinária pela FMVZ/USP em 2018;

PIMOBENDAN – PARA QUEM DEVO PRESCREVER: USO CIENTIFICAMENTE EMBASADO

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O Pimobendan tem sido alvo de muita discussão no contexto da cardiologia veterinária atual. Desde o início de sua utilização em cães, o produto tem demonstrado resultados promissores no contexto da cardiomiopatia dilatada e mais recentemente, no contexto da valvopatia mitral mixomatosa em cães.

Apesar de tais resultados, um ponto-chave dentro da Cardiologia, seja humana ou veterinária, é o embasamento científico de tal eficácia. Assim, organizamos um apanhado de trabalhos científicos que abordam o uso do pimobendan para algumas situações específicas dentro do amplo contexto das doenças cardiovasculares.

1-) PiTCH, 2003 – cães com insuficiência cardíaca

Lombardi e colaboradores et al., 2003 investigaram os efeitos do Pimobendan, do Benazepril ou de sua associação em cães com insuficiência cardíaca. Foi avaliada a melhora clínica dos animais, bem como sua sobrevida.

Um total de 105 cães de raças variadas, com insuficiência cardíaca de moderada a grave, foram randomizados e distribuídos entre três grupos de tratamento. Um grupo recebeu apenas Pimobendan, o outro apenas Benazepril e o último a associação dos dois fármacos. Foi permitida também a introdução de diuréticos no protocolo de tratamento, quando fosse necessário. dog-face-labrador-smile-407082

A sobrevida foi analisada em uma população menor do que a amostra total, pois após o acompanhamento por 28 dias, a permanência no estudo para análise de sobrevida foi facultativa. No entanto, foi possível constatar que os grupos recebendo o inodilatador apresentaram maior tempo de vida do que os animais recebendo apenas o IECA (217 dias e 42 dias, respectivamente).

Resultados favoráveis ao uso do Pimobendan também foram encontrados em relação à melhora clínica dos pacientes. Apesar disso, o estudo PiTCH foi amplamente questionado por não possibilitar a análise dos dados em relação à afecção de base (CMD ou IVCM) e por incluir poucos animais com IVCM e uma maioria de cães com CMD. Também foi questionada a necessidade de um grupo recebendo tanto o Benazepril quanto o Pimobendan.

Assim, a realização de novos estudos objetivando validar os benefícios do uso do Pimobendan em cães foram iniciados, para tentar sanar as dúvidas restantes após a conclusão do estudo PiTCH.

 

2-) VetSCOPE, 2006 – cães com valvopatia mitral mixomatosa ISACH II ou III (com insuficiência cardíaca)

Lombardi e colaboradores et al., 2006 conduziram um estudo multicêntrico, randomizado e com controle-positivo para avaliar a eficácia clínica do tratamento com Pimobendan em cães com insuficiência valvar crônica de mitral.

O grupo de pesquisa, denominado Veterinary Study for the Confirmation of Pimobendan in Canine Endocardiosis, arrolou 76 cães com a forma espontânea da doença, classificados como classe II ou III segundo a ISACHC.  Os animais foram acompanhados por no mínimo 56 dias, e houve a possibilidade de continuar o monitoramento de forma opcional.

Dois grupos experimentais foram criados, um recebendo Pimobendan na dose de 0,2 a 0,3 mg/kg a cada doze horas, e outro recebendo Benazepril, na dose de 0,25 a 0,5 mg/kg a cada 24 horas. Foi permitido apenas o tratamento concomitante com furosemida.

Os resultados obtidos foram favoráveis ao tratamento de animais com IVCM com Pimobendan, demonstrando uma melhora clínica, avaliada através de questionário, de 84% no grupo tratado com esse fármaco, e de 56% do grupo recebendo IECA. Além disso, a sobrevida média dos animais tratados com o inodilatador foi de 430 dias, enquanto aquela do outro grupo foi de 228 dias.

Apesar dos resultados positivos o estudo VetSCOPE foi criticado pela comunidade acadêmica pois utilizou um número de animais relativamente pequeno, e comparou o uso do Pimobendan ao do Benazepril, quando esses fármacos possuem mecanismos de ação e objetivos terapêuticos diferentes, e geralmente são utilizados em conjunto.

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3-) QUEST, 2008 – cães com valvopatia mitral mixomatosa e insuficiência cardíaca

Haggstrom e colaboradores et al., 2008 organizaram um estudo cego, prospectivo e randomizado para comparar os efeitos do tratamento com Pimobendan na qualidade de vida e na sobrevida de cães com IVCM.

Foram reunidos 260 cães com IVCM, provenientes de 28 centros de estudo na Europa, Austrália e no Canadá. Assim como no estudo VetSCOPE, foram criados dois grupos de estudo, um recebendo Pimobendan na dose de 0,4 a 0,6 mg/kg divididos em duas doses diárias, e outro recebendo Benazepril na dose de 0,25 a 0,5 mg/kg a cada 24 horas. Foi permitido o tratamento concomitante apenas com furosemida e com digoxina.

Apesar do desenho do estudo ser similar aquele do VetSCOPE, os resultados diferiram em alguns pontos. Não foi observada diferença estatisticamente significante entre o número de animais que morreram devido ao agravamento da insuficiência cardíaca.

No entanto, o risco de chegar a um evento negativo relacionado à evolução da insuficiência cardíaca foi 32% menor no grupo tratado com Pimobendan, e o tempo decorrido até a ocorrência desses eventos, foi maior. A redução de risco de ocorrência de piora do quadro de doença cardíaca com o uso de Pimobendan não havia sido evidenciada no estudo VetSCOPE.

Além disso, Haggstrom e colaboradores et al., 2013 relataram os dados de qualidade de vida referentes ao estudo QUEST, e chegaram à conclusão de que não houve diferença estatística nesse aspecto em relação ao tratamento com Pimobendan ou Benazepril. A qualidade de vida foi avaliada através de um esquema de pontuação e questionário.

 

4-) PROTECT, 2012 – Dobermans com CMD assintomática

Summerfield e colaboradores et al., 2012 conduziram um estudo multicêntrico e randomizado com o objetivo de averiguar a eficácia da utilização do Pimobendan em animais com CMD assintomática, ou como o estudo se refere, pré-clínica.

Foram utilizados 76 cães da raça Doberman, provenientes de dez centros de tratamento nos Estados Unidos e na Inglaterra, sem sinais de insuficiência cardíaca mas com diagnóstico ecocardiográfico de CMD, definido pela mensuração do diâmetro interno do ventrículo esquerdo na sístole, corrigido pelo peso de cada animal.

Assim, dois grupos experimentais foram formados, um recebendo Pimobendan e outro, placebo. O estudo foi conduzido durante quatro anos, e os resultados foram favoráveis ao uso do inodilatador em Dobermans com CMD pré-clínica. Eventualmente, o mesmo número de animais em ambos os grupos desenvolveu insuficiência cardíaca, no entanto, isso demorou 63% mais para ocorrer no grupo tratado com Pimobendan (718 dias versus 414 dias para o controle).

Não houve diferença estatística entre a ocorrência de arritmias ventriculares complexas entre os grupos antes e após o tratamento. Houve diminuição do diâmetro interno do ventrículo esquerdo na sístole e na diástole no grupo recebendo Pimobendan, enquanto houve piora ou estabilidade desses parâmetros no grupo controle.   

Apesar dos resultados positivos, o estudo em questão apresenta, como qualquer outro, limitações. Não se sabe se é possível extrapolar as conclusões obtidas para Dobermans para outras raças, visto que a patogenia da CMD difere um pouco nessa raça. Além disso, alguns animais apresentam CMD pré-clínica caracterizada apenas com a presença de CVPs, ainda sem a dilatação do ventrículo esquerdo, os quais não foram abrangidos neste estudo.

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5-) EPIC, 2016 – cães com valvopatia mitral mixomatosa – estágio B2 AVANÇADO

Foi feito um estudo clínico, multicêntrico, duplo-cego e randomizado. Foram incluídos trezentos e sessenta cães com valvopatia mitral mixomatosa estágio B2 avançado, ou seja com relação AE/Ao≥1,6, diâmetro interno do ventrículo esquerdo na diástole normalizado ≥1,7 e VHS >10,5. Uma dose de pimobendan de 0,4 a 0,6 mg/kg/dia, dividido em duas doses, foi administrada a um grupo, enquanto o outro grupo de cães recebeu placebo.

O tempo médio para o endpoint (insuficiência cardíaca, morte cardiogênica ou eutanásia) foi 1228 dias para o grupo recebendo pimobendan e 766 para o grupo placebo, e o tempo de sobrevida foi de 1059 dias para o primeiro grupo, e 902 para o segundo.

Este foi o único trabalho que embasou a utilização do pimobendan em pacientes valvopatas sem insuficiência cardíaca, mas é importante notar que os critérios de utilização são bem definidos, e que seu uso não pode ser indiscriminado.

 

Em resumo, existe ampla gama de trabalhos científicos embasando o uso do pimobendan em cães com cardiomiopatia dilatada ou com valvopatia mitral mixomatosa (em fase de insuficiência cardíaca ou B2 avançado). Ainda não há ensaios clínicos com tamanho amostral significativo para justificar o uso do medicamento em cães valvopatas sem remodelamento cardíaco ou em estágio B2 inicial.  O pimobendan é uma medicação extremamente promissora, mas seu uso, como qualquer outro fármaco, deve ser cuidadoso e bem indicado.